Por que o voto dos estudantes universitários vale menos?
Os alunos deveriam se fazer esta pergunta para iniciar qualquer discussão sobre democracia e processo eleitoral dentro da Universidade. Em todas as eleições, os estudantes são como qualquer outro membro da sociedade e o seu voto tem o mesmo valor, como qualquer cidadão. Assim, o voto de um jovem de 16 anos, vale tanto quanto o da maior autoridade do judiciário, do legislativo ou do executivo.
Para tentar responder a essa pergunta, alguns falsos democratas afirmam que os estudantes, sendo a maioria numérica, sempre serão capazes de eleger sozinhos os dirigentes universitários. Falam que os alunos não constituem um quadro permanente e, portanto não possuem condições de decidir sozinhos os destinos da universidade. Outros argumentam que por não possuírem suficientes conhecimentos sobre a vida acadêmica, podem ser facilmente enganados por promessas vãs e vis. Destacam que a universidade é um espaço de produção e circulação do conhecimento e, portanto sua direção deve ser prerrogativa dos seus atores privilegiados, os professores.
Vamos discutir então esses argumentos, que tem prevalecido nos diversos modelos usados nas recentes eleições universitárias.
Quanto á afirmação de que estão em maior número, podemos dizer que este é o principio básico da democracia, pois a maioria deve necessariamente vencer, ou não?
A universidade, constitucionalmente, dedica-se ao ensino, a pesquisa e a extensão, atividades que ganham sentido apenas com a participação do estudante, mesmo que este não constitua um quadro permanente.
Afirmar que a população de uma Universidade não teria conhecimento suficiente sobre a situação acadêmica lembra-nos dos discursos dos governos ditatoriais que baseiam sua ação na segurança geral e no fato do povo não saber escolher. Tal argumento pode ser aplicado aos estudantes universitários, principais atores duma instituição de ensino superior? Não me parece cabível:
Eleição da direção política de uma unidade de ensino, não é uma prova de conhecimentos, a ser resolvida por um exame de titulação, perante uma outra composição de representação da comunidade universitária. Isto vale para os reitores de ensino ou deão, não para o dirigente político da entidade.
Estas primeiras provocações servem para começar uma defasada discussão, sobre alguns temas que devem permear uma campanha que, longe de ser uma mera disputa eleitoral, deve se tornar uma massiva ação de transformação dos estabelecimentos escolares em elemento fundamental da construção da cidadania, começando pelos debates do que é, como se constrói e como se pratica a democracia. Assim, colocamo-nos com um elemento disponível para debater estes temas, em qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer meio. Vamos lá.


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